Especialistas alertam para risco de tuberculose multirresistente

Novos medicamentos para tratar a tuberculose multirresistente podem se tornar rapidamente ineficazes se não forem utilizados da forma correta, segundo um relatório divulgado na véspera dessa sexta-feira (24), Dia Mundial do Combate à Tuberculose.
Antibióticos como a bedaquilina, delamanida e a linezolida foram adicionados recentemente ao arsenal de medicamentos contra a tuberculose, mas estão diminuindo sua eficácia conforme a bactéria da doença desenvolve resistência a uma gama cada vez maior de tratamentos.
O controle sobre a indicação e o uso desses medicamentos tem que ser aumentado, ou “seu efeito pode ser perdido rapidamente”, de acordo com o relatório publicado na revista médica “The Lancet Respiratory Medicine”.
A resistência a antibióticos pode se desenvolver quando um medicamento prescrito falha ao tentar matar uma bactéria alvo, seja porque é o medicamento errado ou a dose errada ou se não for tomado como deveria.
Mas uma cepa resistente pode passar diretamente de uma pessoa para outra, tornando a doença muito mais cara e difícil de tratar.
Houve uma longa pausa no desenvolvimento de medicamentos para tuberculose até o lançamento do último grande antibiótico, a rifampicina, aprovada nos anos 1970.
Mas novos medicamentos começaram recentemente a entrar para a lista de tratamento de pacientes que não respondem à gama existente.
Estudos preliminares com linezolida, bedaquilina e delamanida mostraram que eles “melhoram substancialmente os resultados dos tratamentos, dando esperança para pacientes que foram considerados anteriormente impossíveis de tratar”, diz o relatório.
‘Multirresistentes’
“Apesar disso, sem um investimento que promova o acesso aos novos tratamentos, incluindo ciclos menores com menos efeitos adversos, os medicamentos eficazes vão se tornar escassos de novo enquanto a resistência evolui contra as novas opções de tratamento”, alerta o relatório.
A tuberculose mata mais pessoas a cada ano do que qualquer outra doença infecciosa.
Em 2015, segundo estimativas, foram 1,8 milhão de pessoas mortas pela doença em todo o mundo – 60% delas vivem na Índia, Indonésia, China, Nigéria, Paquistão e África do Sul.

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